PARAIBA VOX

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

RECADO DO TIRIRICA...‏

E assim caminha o Brasil

cid:1.2275790370@web36907.mail.mud.yahoo.com
... e pensar que eu ria da cara dele!!
 
O grande parlamentar brasileiro TIRIRICA foi diplomado em 17.12.2010..
Salário: R$ 26.700,00
Ajuda Custo: R$ 35.053,00
Auxilio Moradia: R$ 3.000,00
Auxilio Gabinete: R$ 60.000,00
Despesa Médica pessoal e familiar: ILIMITADA E
INTERNACIONAL  (livre escolha de medicos e clinicas).
Telefone Celular: R$ ILIMITADO.
Ainda como bônus anual: R$ (+ 2 salários = 53.400,00)
Passagens e estadia: primeira classe ou executiva sempre
Reuniões no exterior: dois congressos ou equivalente todo ano.
Mensalão: A COMBINAR!!!
Custo médio mensal: R$ 250.000,00
Aposentadoria: total depois de oito anos e com pagamento integral.

Fonte de custeio: NOSSO BOLSO!!
Dá para chamar ele de palhaço?
Pense bem, quem é o palhaço!!
Nem é preciso dizer... 
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O teste da bacia

Prefeitos marcham sobre Brasília reivindicando benefícios para suas Prefeituras. Mas o que eles não divulgam são os acontecidos nas horas de lazer. Segundo Ancelmo Góes, jornalista de O Globo, a presença desses prefeitos no Distrito Federal inflacionou o puteiro. Quengas de Goiás estão sendo enviadas aos montes, em ônibus extras, para atender a demanda. E tudo isso pago com o dinheiro da viúva.
Quengar em Brasília é coisa comum. As mariposas invadem os hotéis a procura de homens. Os nordestinos, mais fogosos, chegam a afogar o ganso três vezes por dia, somente para mostrar vitalidade. É um trepa trepa tão cachorro da mulesta que, em alguns casos, os bombeiros são chamados para atender casos de queimaduras. É que, no calor do vai e vem, borrachas de camisinhas pegam fogo e muitas perseguidas derretem, impregnando o ar com cheiro de carne e cabelo queimados.
Isso não é de agora. Vem dos tempos da ditadura. Naqueles ontens era corriqueiro o financiamento de orgias pelos chamados candidatos verde oliva. O cabra ia pra convenção e, na ânsia de agradar os delegados partidários, mimavam eles com noitadas de uísque e de mulheres nos hotéis da Asa Sul. Foi numa dessas orgias que conhecido político paraibano perdeu a mulher. A consorte do dito cujo chegou de surpresa ao hotel, subiu para o apartamento, entrou e avistou aquelas canelas finas e brancas flutuando na cama, enquanto o resto do camarada permanecia enfiado no entrepernas de formosa morena.
Foi por causa disso que algumas mulheres aqui da Paraíba inventaram o teste da bacia com água. Quando os maridos retornavam de Brasília, elas mandavam eles sentar nas bacias, devidamente nus, e se os ovos boiassem, o cacete comia no centro.

sábado, 7 de maio de 2011

Boato sobre estouro de barragem gera pânico na população e pára o Recife


A água? Ninguém sabe, ninguém viu. O fato é que o Recife parou nesta quinta-feira (5), depois de uma enxurrada de informações desencontradas que foram propagadas como há 36 anos, quando um boca-a-boca gerou um dos maiores e mais desastrosos boatos que a capital pernambucana já viveu: o estouro da barragem de Tapacurá. Àquela época, justifica-se, a cidade havia passado por enchentes traumáticas, que deixaram o temor latente nos moradores.
Fragilizada, a população estava suscetível a qualquer tipo de pressão e uma informação jogada aos ventos se propagou como uma onda, levando desespero, acidentes e até morte aos pernambucanos. Sem nuvens pesadas no céu, sem uma gota d’água no chão. Exatamente como hoje. Às 16h, a cidade do Recife, já castigada pelo excesso de carros nas ruas e pelas chuvas que a assolaram nos últimos dias, viveu um “novo Tapacurá”. Escolas, shoppings e repartições públicas fecharam as portas mais cedo, reforçando o temor na população.
O antigo zumzumzum ganhou uma proporção estrondosa, com o auxílio das redes sociais. Em pleno 2011, com a informação circulando com muito mais velocidade, o Twitter foi um dos principais protagonistas desta nova versão do boato. Serviu como fonte de informação para muita gente, que ficou presa por horas no trânsito, mas também para alardear um medo que não chegou por fontes oficiais. Cidadãos postavam em tempo real fotos de ruas alagadas, narravam a impossibilidade de circular e o desespero de tentar voltar para casa.
Como repercussão na vida offline, o que se viu foi muita gente correndo pelas ruas do Centro. Trânsito parado por horas, gente abandonando os carros e andando à pé, com medo de ter suas vidas devastadas pelas águas. Gente que sequer havia nascido quando ocorreu o primeiro boato de Tapacurá. Quem passou, não esquece os danos que uma informação errada pode causar. “Eu sou uma vítima”, contou a aposentada Laury Corte Real, 66 anos, que atribui a morte do marido dela às falsas informações que circularam em julho de 1975.
Laury lembra que estava em casa, com um bebê de 3 meses, quando o seu marido chegou desesperado, trazendo mantimentos para, quem sabe, passar muitos dias isolados. “Ele ficou muito apreensivo com as crianças, saiu dirigindo por entre carros descontrolados, na contramão, para chegar em casa e ficar perto dos nossos filhos”. Contou, relembrando que a cena era de guerra nas ruas. “Hoje quando ouvi o novo boato, tudo veio à tona. Meu marido não morreu do susto, mas foi a partir dele que o aneurisma pode ter se desenvolvido”.
Já faz 36 anos, mas a pedagoga Eliane Correia, 62, também não esquece o dia em que surgiu o boato que a barragem de Tapacurá tinha estourado. “As pessoas começaram a gritar e correr pelas ruas. Eu fiquei tão desesperada que, mesmo recém operada de uma cesária, saí às pressas de casa com meu marido e filhos. Empurrei até o carro que tinha quebrado durante a confusão”, relembra. Assim como Eliane, seus familiares que moravam na Vila dos Remédios, em Afogados (foto acima), na Zona Oeste do Recife, tinham acabado de perder grande parte dos móveis e objetos na última grande cheia de 75. “Estava todo mundo traumatizado e acredito que também faltava informação na época”, relata a dona de casa Benedita da Silva, 72, que ainda mora no local. O boato que correu a cidade hoje, segundo ela, foi bem menor que o anterior, mas também causou medo. “Teve gente aqui da vila que passou mal, ficou tremendo e tudo”.
O filho de Benedita, o sociólogo Ricardo Raposo, 47, estava no Centro do Recife nesta tarde quando viu as pessoas desesperadas nas ruas. “Vi mulheres gritando, carros na contramão e até alguns abandonados. Não fazia o menor sentido porque olhei para o Rio Capibaribe e ele estava normal. Foi pânico mesmo”, acrescentou. Ricardo acredita que a população recifense desconhece a geografia da cidade e vive atualmente uma situação de abandono e, por esse motivo, acaba sendo guiada cegamente por boatos. “A internet também ajudou a espalhar a desinformação com o auxílio do anonimato. Recebi alguns e-mails com histórias mentirosas”, conta. Para ele, é necessário trabalhar o assunto nas escolas. “O Recife é a cidade das águas, mas pouco se sabe sobre nossos rios e barragens. A desinformação acaba alimentando lendas urbanas das cheias, como a que vivemos hoje”.
Por: Marconi

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Hospital Padre Zé precisa de voluntários

Fundado há 76 anos, o Hospital Padre Zé, em João Pessoa, segue em busca de doações e trabalhadores voluntários para atender aos pacientes que procuram atendimento médico. Instituição filantrópica, o hospital funciona à base de doações e de receita disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora o somatório dessas duas vias de recebimento seja insuficiente. O orçamento atual estimado em pouco menos de R$200 mil ainda está aquém dos quase R$300 mil almejados pela diretoria. Além dos problemas inerentes à restrição orçamentária, o local também apela para que profissionais de saúde atuem de forma voluntária para atender à população. O hospital Padre Zé conta com 109 funcionários celetistas - com carteiras assinadas com base na CLT -, outros 70 voluntários e mais 17 cedidos de órgãos federais, estaduais e municipais. Embora o número possa parecer elevado, a diretora administrativa do hospital, Maria de Lurdes Mendonça, esclarece que o número é insuficiente. "Temos dificuldade de ter médicos plantonistas aqui. Eles geralmente têm compromissos em várias outras instituições e não conseguimos número suficiente", afirmou.
A quantidade de médicos atualmente no local chega a 22, no entanto, para atender a demanda de hospital com 60 leitos, como é o caso do Padre Zé, esse número precisaria ser dobrado. "Há determinações do Conselho Regional de Medicina do número de médicos que seria necessário, mas essa quantitativo fica além das nossas possibilidades", revela a diretora administrativa. As doações que chegam para incrementar a receita mensal chegam a R$39,5 mil, quando o mínimo ideal seria R$60, segundo estimativas da direção do local. Já a verba que o SUS destina ao Padre Zé é R$150 mil. São 20 leitos disponíveis no hospital Padre Zé, que atende diariamante cerca de internações, além de dezenas de atendimentos ambulatoriais. Quem procura o hospital pode encontrar médicos especialistas em cardiologia, nutricionistas, ginecologistas, clínicos, urologistas e otorrinolaringologistas. Também está à disposição uma unidade de fisioterapia destinada à prestação de assistência para prevenção e reabilitação.
Os interessados em realizarem doações podem comparecer ao local e fazê-la pessoalmente ou realizar atendimento bancário através da conta corrente 15774-0, agência 00011-6 do Banco do Brasil. Além de doações em dinheiro, voluntários também podem se candidatar para ajudar na manutenção do hospital. 

Por: Marconi

quinta-feira, 28 de abril de 2011

É PARA RIR: De aparições de fantasmas à cagada de índio; confira fatos pitorescos na Assembleia

Nos últimos 30 anos, a Assembleia Legislativa da Paraíba foi palco de inúmeros acontecimentos pitorescos testemunhados por funcionários e deputados. Os fatos vão de supostas aparições de fantasmas a um inesperado ataque de dor de barriga que resultou num amontoado de fezes- deixado por um índio, no plenário da Casa.
Também ficou na memória dos funcionários o dia em que dois deputados foram às vias de fato- com direito a tiro de revólver e mordida no nariz- em plena sessão. E os gritos de “ai, ai, ai...” que partiam de dentro do sanitário dos parlamentares, oportunidade em que um deputado, que também era dentista, ajudava um fotógrafo a se livrar dos dentes podres.
A Assembleia também foi palco da convivência “pacífica” e tensa entre deputados inimigos de morte, como os coronéis Luiz de Barros e José Lira; Levi Olímpio e Chico Pereira (pai dos ex-deputados Aércio e Adauto Pereira), todos já falecidos.
Os testemunhos desses fatos pitorescos e até violentos são de funcionários que trabalham até hoje na assessoria do Plenário, como Jerônimo Ribeiro (atual diretor do Departamento do Plenário), Magaly Maia, Paulo Rogério (conhecido como Paulinho) e Pedro Ronaldo Gadelha Abrantes, filho do ex-deputado Romeu Abrantes.
Num determinado mês de abril, índios potiguara, vindos de Baía da Traição, ocuparam a o plenário da Assembleia para uma sessão especial em homenagem do Dia do Índio (21 de abril). A sessão debateria os problemas existentes nas aldeias de Rio Tinto e Baía da Traição. De repente, um índio sentiu uma dor de barriga e resolveu fazer o serviço lá mesmo, no plenário.
Então, conforme lembram Jerônimo e Ronaldo, os outros índios, solidários, improvisaram a dança do Toré. Fizeram um círculo para esconder o potiguara com dor de barriga. E iniciaram a dança. Passaram quase 20 minutos dançando, tempo suficiente para o serviço ser concluído.
Em seguida, saíram em uma fila e deixaram para trás o amontoado de fezes, cujo odor incensou o plenário e acabou a sessão. O carpete teve que ser removido pelo pessoal da limpeza.
“Paulinho viu a movimentação dos índios e pensou que, realmente, eles estavam apresentando a dança do Toré. Quando desfizeram o círculo, nos deparamos com um imenso tolete”, disse Ronaldo Abrantes.
Chico Pereira dormia no próprio gabinete
Ronaldo Abrantes contou, também, que Gilson, funcionário da segurança, estava de plantão noturno, quando ouviu alguém bater numa porta de vidro do plenário. “De longe, ele viu uma pessoa e se aproximou para abrir a porta. Quando chegou perto, a pessoa tinha desaparecido”, disse Ronaldo, acrescentando que Gilson ficou com medo e atribuiu o fato a um suposto fantasma.
E a suspeita recaiu sobre o deputado Chico Pereira. O deputado tinha uma bengala e sempre dormia no seu gabinete, além de cochilar no plenário, durante as sessões. Quando tinha insônia, de madrugada, vagava pelo corredor com sua bengala na mão. “Depois que ele morreu, Gilson sempre ouvia o barulho (toc, toc, toc...) da bengala de Chico Pereira no corredor. Por isso, acreditou que a pessoa que bateu à porta de vidro do plenário, teria sido o ex-deputado.
O índio
O que mais marcou os funcionários do plenário da Assembleia, nas últimas três décadas, foi a dança do Toré que deixou para trás um amontoado de cocô de um índio que teve dor de barriga momentos antes do início de uma sessão em homenagem ao Dia do Índio. Os funcionários não lembram a data exata, mas afirmam que o fato ocorreu na década de 80. O carpete teve que ser retirado pelo pessoal da limpeza e a sessão foi inviabilizada.
O fantasma
Os funcionários da Assembleia relatam pelo menos três episódios atribuídos a supostos fantasmas, principalmente depois que Chico Pereira morreu. O toc, toc, toc da bengala que ele usava teria sido ouvido por servidores da manutenção e da segurança. Num dos episódios, Chico Pereira ainda estava vivo. O vigilante não o percebeu no escuro e viu apenas o cigarro aceso. Quase morre do coração jurando ter visto um espírito fumante. Tudo foi esclarecido depois.
O dentista
Djalma Gois foi fotografo do Jornal O Norte durante muitos anos. Cobria as sessões na Assembleia Legislativa. Tinha muitos dentes careados, que necessitavam ser extraídos. Mas não tinha coragem, até que o deputado Everaldo Agra o encoragou a tirar os dentes podres. O episódio chamou a atenção dos demais deputados, após os gritos de dor que ecoavam do sanitário, onde Agra arrancou os dentes do fotógrafo sem anestesia.
Os inimigos
Os deputados coronéis Luiz de Barros e José Lira- ambos representantes do município de Teixeira na Assembleia Legislativa da Paraíba- eram inimigos de morte. Os dois andavam armados, mas nunca foram às vias de fato. Só frequentavam o mesmo teto quando estavam no plenário. Se odiavam, mas respeitavam. Outros inimigos ferrenhos eram os deputados Levi Olímpio e Chico Pereira. E Levi Olímpio e Aércio Pereira, filho de Chico Pereira.
Pedido de alicate irritou Estrela
Na época em que João Estrela (ex-prefeito de Sousa) era deputado, Ronaldo Abrantes, filho do ex-deputado Romeu Abrantes (também da cidade de Sousa), era seu chefe de gabinete.
“Certo dia, o deputado João Estrela, que sempre foi um homem muito gentil e educado, estava com o cão no couro, como se diz no interior, e uma mulher chegou para irritá-lo ainda mais.
“A mulher entrou no gabinete e ficou olhando para ele, sem nada dizer. Mesmo irritado, João foi educado e disse: pois não, senhora, o que deseja?”, lembrou Ronaldo Abrantes. A mulher, segundo ele, calada estava, calada ficou. E o deputado disse: “Fale mulher”. Ela abriu a boca e foi direto ao assunto: “Eu quero um alicate de unha”. João Estrela: “Desculpe senhora, mas não damos esse tipo de coisa”.
Ela retrucou: “O que vocês fazem, além de não darem esse tipo de coisa?”. João Estrela, que já estava irritado, pegou a mulher pelo braço e a colocou para fora do gabinete.
Outros fatos
Contam os funcionários da Assembleia que muitos outros fatos curiosos marcaram e continuam marcando os bastidores da Assembleia Legislativa, tudo registrado nos anais da Casa. Tais fatos vão de manobras para a aprovação de projetos de interesse do Governo de forma açodada, como ocorreu um dia antes da cassação do governador Cássio Cunha Lima pelo Tribunal Superior Eleitoral, em fevereiro de 2009.
Sabendo que o governador seria cassado, seus aliados realizaram 17 sessões extraordinárias em apenas uma manhã e aprovaram tudo o que quiseram, da forma mais autoritária possível. Tudo acompanhado pela imprensa e por telespectadores da TV Assembleia.
A negativa da Assembleia para processar o ex-governador Ronaldo Cunha Lima foi um escárnio. Ronaldo cometeu uma tentativa de assassinato contra o ex-governador Tarcísio Burity, em 1993, e a Assembleia negou a permissão para ele ser processado.
A tribuna da Assembleia foi usada por deputados para ameaçarem colegas e até jornalistas que nada têm a ver com as disputas entre eles. Mas nem tudo é negativo. Foi a partir de uma denúncia feita na Assembleia Legislativa, pelo deputado Tião Gomes, que a Justiça Eleitoral (estadual e federal) cassou um governador (Cássio Cunha Lima) acusado de corrupção eleitoral.
Esconderijo de Zé Lacerda
Certo dia, o deputado Afrânio Bezerra se desentendeu com o também deputado Marcus Odilon Ribeiro Coutinho, em plena sessão legislativa. Afrânio puxou um revolver e atirou em Marcus Odilon, que revidou com uma mordida no nariz do adversário.
O fato ocorreu há mais de 20 anos. Os problemas foram superados e hoje não existe inimizade entre os dois.
Mas o curioso envolveu o então deputado José Lacerda Neto. No tumulto, José Lacerda tentou se esconder debaixo de um birô, conforme lembram Jerônimo, Magaly, Paulinho e Ronaldo.
Quando José Lacerda tentou entrar debaixo do birô, o local já estava ocupado por um funcionário da Casa, se tremendo de medo.
Também tremendo de medo, o deputado José Lacerda teria dito: “Saia que esse lugar é meu. Procure outro lugar para se esconder”.
O funcionário teve que obedecer e cedeu o lugar ao deputado, que só deixou o local depois que o tumulto tinha acabado e os dois desafetos tinham saído do plenário.
Deputado tirou dentes de fotógrafo
De acordo com Jerônimo Ribeiro, o ex-deputado Everaldo Agra (pai do também ex-deputado Tota Agra, ambos falecidos) era dentista e sempre andava com suas ferramentas de trabalho. Certo dia, encontrou o fotógrafo Djalma Gois (que trabalhou vários anos no Jornal O Norte), que tinha a boca cheia de dentes podres que precisavam ser extraídos. Everaldo prometeu que um dia, se Gois quisesse, ele extrairia todos os seus dentes.
Dito e feito. Gois entrou no plenário para fotografar a sessão e encontrou Everaldo Agra. Os dois cochicharam e se dirigiram ao sanitário dos deputados, sem ninguém perceber. Momentos depois, a sessão foi interrompida por gritos de “ai, ai, ai” e “calma que to terminando; calma que ta terminando”.
Os deputados interromperam a sessão e se dirigiram ao banheiro para saber o que estava acontecendo. Ao adentrarem ao recinto, encontraram uma cena dantesca (pavorosa). O fotógrafo Gois estava sentado no bojo, com a boca aberta e toda ensangüentada e o deputado com um alicate na mão. Na pia, os dentes arrancados sem anestesia.
Deputado votou dormindo
Contam os funcionários que o deputado Chico Pereira, já idoso, passava o tempo todo cochilando no plenário, durante as sessões. Integrante da bancada do Governo, ele não dava conta do que era votado e aprovado. Mas numa determinada sessão, um projeto importante para o governo só seria aprovado se tivesse o voto de Chico Pereira, que daria a maioria necessária.
Quando presidente da sessão pediu que os deputados que concordassem com determinado projeto ficassem de pé, o parlamentar que estava ao lado de Chico Pereira se levantou e o puxou pelo braço. Mesmo assim, ele não acordou. O presidente disse que o projeto estava aprovado, mesmo sob o protesto da oposição. “Seu Chico votou dormindo”, lembrou Jerônimo.
Seu Chico, como era conhecido o deputado Chico Pereira, quando vinha de Pombal, não se hospedava em hotel e dormia no gabinete. Como costumava passar noites inteiras passeando nos corredores do primeiro andar, com insônia, ale acendia um cigarro após outro.
O setor de segurança tinha contratado um vigilante novato que não conhecia os hábitos do seu Chico. Certo dia, o vigilante chegou atrasado, passou pela chefia e foi direto dar uma geral nas instalações da Assembleia. As luzes estavam todas apagadas.
Ao chegar ao primeiro andar, o vigilante viu, de longe, um cigarro aceso a mais de um 1,70 metro de altura e se aproximando dele. Era o deputado Chico Pereira. O vigilante começou a tremer e disparou para o térreo, tremendo e assombrado. Disse ao chefe que tinha visto uma alma. “E o pior: além de ser uma alma, estava fumando”.
Paletó de toalha de mesa de Judivan
O ex-deputado Judivan Cabral tinha um paletó que mais parecia uma toalha de mesa, toda quadriculada. Os outros deputados brincavam com ele dizendo que o mesmo tinha mandado fazer o paletó com a toalha de mesa de sua casa.
Certo dia, invocado com as provocações dos colegas, Judivan Cabral chegou para um dos assessores da Assembleia e pediu o paletó emprestado. Recebeu o de Renê Costa, que era assessor do deputado José Fernandes de Lima. A troca de paletó ocorreu depois do episódio do tiro no plenário.
Na época, a Mesa Diretora baixou uma resolução proibindo deputados de entrarem armados no plenário. Quando Judivan começou a usar o paletó do assessor de José Fernandes, todo mundo percebeu o revólver de Judivan, um 38 de cano longo. Um repórter perguntou: “Mas deputado, o senhor está armado. E a resolução aprovada pela Mesa?”.
Ele respondeu: “Você acha que eu, desse tamanho (era baixinho), vou vacilar para levar uma mordida no nariz de um homenzarrão como Marcus Odilon? Antes dele arrancar meu nariz, eu meto bala”, teria dito em tom de brincadeira, para justificar a arma que carregava na cintura, mesmo depois da proibição da Mesa Diretora.
Na década de 80, dois coronéis da Polícia Militar eram deputados e representavam a mesma região: Serra do Teixeira. Eram Luiz de Barros e José Lira. Os dois eram inimigos de morte. Ambos andavam armados. “Era fio de 360 com fio de 360. Não podiam se tocar”, disse Jerônimo se referindo aos fios de alta tensão.
Um dia, segundo lembra Jerônimo, os dois se encontraram no elevador da Assembleia. O elevador parou no solo e ia para o subsolo. Zé Lira descia e Luiz de Barros esperava para entrar. Quando avistou o adversário, não entrou. “Eles não se falavam, nem se cumprimentavam, mas se respeitavam”, comentou Jerônimo.

Por Marconi

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Não existíamos e não sabíamos‏

Na revista piauí deste mês, há um artigo seminal de Pérsio Arida, sobre sua participação juvenil na guerrilha urbana. Lá está a análise rara de um prisioneiro torturado sobre a onda revolucionária que pegou nossa geração; lá estão os humanos tremores, a dúvida, o medo, todo o irresistível delírio ideológico e psicológico que insuflou uma geração para sofrimentos e mortes depois de 68. A luta armada foi a consequência da fé que tínhamos antes de 64, influenciados pela guerra fria, Cuba liberada, Vietnã.

A importância que restou de tudo, como Pérsio aponta, foi justamente a "via-crúcis" que tivemos de viver e que, por vias tortas, acabou nos levando à democracia em 85. Historicamente, foi bom.
O golpe militar de 64 aconteceu porque nós não existíamos. Éramos uma ilusão. A esquerda era uma ilusão no Brasil. (Já imagino as "cerdas bravas do javali" se eriçando em alguns cangotes). Mas, existia o quê? Existia uma revolução verbal. A ideologia "revolucionária" era um ensopadinho feito de JK, Marx, Getúlio e sonho. Existia uma ideologia que nos dava a sensação de que o "povo do Brasil marchava conosco", um "wishful thinking" de que éramos o "sal da terra". Havia a crendice de que nossos inimigos estavam todos "fora" de nós, fora do País e das estruturas políticas arcaicas que nos corroem há 400 anos. Existia um "bacalhau português" em nosso discurso, um forte ranço ibérico em nosso aparente "rationale" franco-alemão: o amor ao abstrato, a literatura salvacionista, a busca de um "Uno" totalizante. A população nem sabia que existíamos. Não havia base material, econômica ou armada, "condições objetivas" para qualquer revolução. Por trás de nossas utopias, o Brasil escravista e patriarcal dormia a sono solto, intocado. Éramos uma esquerda imaginária, delegando ao Estado a tarefa de fazer uma revolução contra o Estado. Até nas revoluções precisamos do Governo.
Por baixo dos sonhos juvenis, havia apenas o sindicalismo de pelegos e dependentes do presidente, que deu a grande festa de 13 de março (o comício da Central, com tochas da Petrobrás e clima soviético). Eu estava lá, olhando para Thereza Goulart, linda de vestido azul e coque anos 60 e vendo, depois, com calafrio na espinha, as velas acesas em protesto contra nós em todas as janelas da classe média "reacionária", do Flamengo até Ipanema. Essa era a verdadeira "sociedade civil" que acordava. Hoje, acho que o único cara que sacava a zorra toda era o próprio Jango, mais brasileiro, mais sábio, entre os gritos de Darcy Ribeiro falando do "Brasil, nossa Roma tropical!". Havia uma espécie de "substituição de importações dentro da alma": a crença de que éramos "especiais" e de que podíamos prescindir do mundo real, fazendo uma mutação por vontade mágica. Só analisávamos a realidade "objetiva", quando tínhamos de estar incluídos nela, subjetivamente. Em seu artigo, Pérsio se inclui.
Mas existia o que, então?
Existiam os outros. Os "outros" surgiram do nada. O óbvio de nossa cultura pipocou do "nada" em 64. Fantasmas seculares reviveram. Apareceu uma classe média apavorada e burra, que sempre esteve ali. Surgiu um Exército autoritário e submisso às exigências externas. Ficamos conhecendo a ignorância do povo (que idealizávamos), descobrimos que a resistência reacionária de minhas tias era igual à dos usineiros e banqueiros. Descobrimos a violência repressiva de uma falsa "cordialidade". Descobrimos o óbvio do mundo.
Eu estava dentro da UNE pegando fogo no 1.º de abril e quase morri queimado; mas, senti nesse dia que a vida real começava. A sensação não foi de derrota; foi a de acordar de um sonho para um pesadelo. Um pesadelo feito de milicos grossos, burrice popular e pragmatismo de gringos do "mercado". (Foi inesquecível o surgimento de Castelo Branco, feio como um ET de boné verde, na capa do O Cruzeiro).
Em 64, começara o calvário que nos levou a uma possível maturidade. Despertamos para a bruta mão do "money market", que precisava nos emprestar dinheiro, para que o Estado pós-getulista-verde-oliva avalizasse a instalação das multinacionais aqui. Ou vocês acham que iam nos emprestar US$ 100 bilhões para o Jango fazer a reforma agrária com o Francisco Julião? Aprisionaram-nos para contrairmos a dívida como, 20 anos depois, nos libertaram para pagá-la. Depois de 64 e 68, vimos que a esquerda tinha "princípios" e "fins", mas não tinha "meios".
Nossos paranoicos achavam (e muitos continuam achando) que somos vítimas de uma trama de Washington.
Claro que a CIA armou coisas com direitistas daqui, mas foram apenas os parteiros do desejo material da Produção.
O tempo da ditadura foi um show de materialismo histórico. Mas ibérico não gosta de ver essas coisas. E, logo, tapamos os olhos e nos consideramos as "vítimas", lutando pela "liberdade" formal. E não víamos que a barra-pesada estava entranhada em nossas instituições políticas, assim como não havia ideal democrático nenhum em nossos guerrilheiros. Nessa época, poderíamos ter descoberto que um país sem sociedade organizada morre na praia. E deveríamos ter descoberto que não adianta nada analisar os "erros" de nossa esquerda "revolucionária" como se fossem erros episódicos, veniais. A esquerda no Brasil tem de ser repensada "ab ovo", pois é impossível trancar a complexidade de nossa formação nacional num "pensamento único". Por isso, é desesperante ver gente ainda querendo restaurar ilusões perdidas.
O tempo não para e as forças produtivas do mundo continuarão agindo sobre nossa resistência colonial.
A mutação modernizadora, digital, do mundo nos obriga à democracia. Quando entenderemos que a verdadeira revolução brasileira tem de ser endógena, democrática e que só um choque de capitalismo e de empreendedores livres pode arrasar o "bunker" corrupto, a casamata secular do Estado patrimonialista? Pérsio não morreu e, 20 anos depois, ajudou a acabar com a inflação. Valeu... 

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ramalho Leite – A marca dos cem dias


Talvez devêssemos começar pela origem dessa tradição de um governo mostrar nos primeiros cem dias, a sua própria marca. Ironicamente, a remissão aos cem dias nasceu da crônica de uma derrota. Napoleão Bonaparte foge da Ilha de Elba e retoma o poder na França levando Luiz XVIII à fuga e ao abandono do Trono. Com a adesão das forças que foram ao seu encontro para combatê-lo, Napoleão se mantém à frente do País por pouco mais de cem dias, até ser derrotado em Waterloo.É o fim do Império Napoleônico.
Os americanos e sempre eles, adotaram a idéia de avaliar os governos nos primeiros cem dias. Frankin Delano Roosevel iniciou a comemoração jactando-se do extraordinário feito de aprovar quinze projetos de envergadura em meio à Grande Depressão que afetou a economia dos EE.UU e contaminou o mundo. A partir de então, a mídia não tem deixado em paz os novos governantes, exigindo um balanço de suas atividades nos primeiros cem dias de gestão.
Quando um Governo sucede a ele mesmo, a marca dos cem dias passa desapercebida. Uns poucos ajustes e uma correção de metas satisfaz a curiosidade midiática. Quando a sucessão ocorre entre companheiros de uma mesma família partidária, as alterações são feitas mas dificilmente são explicados os motivos que as originaram. Trata-se de uma continuidade pacífica que não afeta nem mesmo os índices de popularidade do sucessor, beneficiário de um acervo de realizações que alicerçaram sua própria ascensão.
Na Paraíba estamos diante de um quadro diferenciado. O antecessor extrapolou  todos os limites do bom senso na busca de uma vitória que não ocorreu. O tempo que teria para consertar seus próprios erros  foi negado pelo eleitorado. Coube  ao sucessor a tarefa de realinhar os atos de gestão e buscar o equilíbrio necessário para alicerçar um trabalho consciente na direção do futuro.
Nesse período, reina espécie de “quarentena”, quando a oposição garante uma trégua ao governo que se inicia. Até isso foi negado ao atual governo. As primeiras medidas alcançaram privilégios irrenunciáveis. Quem deveria se penitenciar, passou a cobrar. A ação negativa do passado virou responsabilidade do presente. Se passou a exigir do atual governante o cumprimento de promessas que não fez. As dificuldades foram enfrentadas e as medidas restritivas  impactadas  dificilmente o seriam depois dessa quadra simbólica.
Os cem dias servem sem dúvida para a fixação do perfil de um novo governo. O Governador Ricardo Coutinho já disse a que veio. Veio para mudar e essas mudanças foram anunciadas amplamente durante o período do debate eleitoral. Está cumprindo o que prometeu. A ninguém será dado o direito de dizer que foi enganado. Obstáculos foram feitos para serem vencidos e ele, obstinado como é, vencerá a todos. Ao completar os primeiros cem dias, o novo governo da Paraíba faz um balanço positivo de suas ações e anuncia metas que, sem dúvida, respondem à confiança dos paraibanos.

"Ramalho Leite"