PARAIBA VOX

- Onde a Paraíba esta sempre em primeiro lugar -

domingo, 30 de janeiro de 2011

BBB......por Luiz Fernando Verissímo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB),
produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos
chegar ao fundo do poço...A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB
é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,
encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa
modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim
marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela
banalização do sexo. O BBB 13 é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas,
heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por
Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que
quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou
heterosexuais. O BBB 13 é a realidade em busca do IBOPE..
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 13. Ele prometeu um
“zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem
variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do
“zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro
com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não
sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o
carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é
para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e
escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de
Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem
sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão
cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da
cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro
repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio
de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de
heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros,
profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os
professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis
que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação,
competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por
dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo
santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas
porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs,
voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes,
doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas
contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em
outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não
acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos
telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro
estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à
criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.


E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o
comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio
Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem
a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a
Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir:
oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia
se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,
alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000
computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação,
por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana
ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar.... ,
ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... ,telefonar para um
amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... ,
namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que
ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade
-BRASIL...! Acima de tudo...!!!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

As injustiças existentes no Brasil...

A vida humana ganha sua riqueza e é construída e experimentada tomando como referência o princípio da dignidade. Características particulares como sexo, idade, etnia, religião, classe social, grau de instrução, necessidades ou talentos especiais, opção política e ideológica, dentre outros, não aumentam nem diminuem a dignidade de uma pessoa.

A sociedade é composta de pessoas diferentes entre si, não somente em função de suas personalidades singulares, como também relativamente a categorias ou grupos. A diversidade tem como implicação uma multiplicidade de comportamentos e relações, o que guarda a possibilidade de enriquecimento das pessoas envolvidas.

Entretanto, a par da riqueza decorrente da diversidade existem preconceitos e discriminações. A atitude de preconceito está na direção oposta do que se requer para a existência de uma sociedade democrática, pluralista por definição.

No Brasil, assim como na maioria dos países, principalmente nos subdesenvolvidos, há uma grande injustiça perante a classe dominante, que são os trabalhadores.

Recentemente, houve uma ampla discussão para saber em quanto iria ficar o salário mínimo no país, que em termos absolutos é um dos mais baixos do mundo.

Foram horas, dias, semanas e até meses em que, os deputados e senadores, junto com a classe patronal e trabalhista, ficaram discutindo em quanto iria ficar o reajuste do salário.

No nosso país, mais de 80% dos trabalhadores recebem até dois salários mínimos. São esses trabalhadores que carregam o nosso país nas costas, já que todos os dias eles tem que acordar cedo, trabalham no mínimo 40 horas semanais e no final do mês ainda se tornam verdadeiros artistas de circo, pois têm que fazer malabarismo com os seus salários: é contas de luz, água, telefone, aluguel, feira, etc.

Durante a discussão, baseado na tese de que esses trabalhadores são a grande maioria no país, um aumento acima da inflação poderia “quebrar” o país. Então, para evitar isso e pensando no “bem-estar” dos brasileiros, esses políticos tiveram pena, e deram um aumento em torno de 6%, passando de R$ 510,00 para R$ 545,00. Porém, no apagar das luzes, essas mesmas pessoas, que deram esse “grande” aumento para os trabalhadores, e como eles ganham muito pouco, reajustaram os seus salários em quase 100%. Pena que eles não fizeram isso antes das eleições, pois se tivessem feito isso, nós trabalhadores teríamos pena deles também e mandaríamos para os seus devidos lugares.

Outra injustiça existente no Brasil, é que, enquanto nos temos que trabalhar a vida inteira pensando na aposentadoria, que muitas vezes o salário de um aposentado só dá para pagar os medicamentos, esses políticos que são tão “bonzinhos” conosco, basta só um mandato para receber uma “pensão” vitalícia, onde muitas vezes esse mandato não dura nem 1 ano. Sem contar que, além dos altos salários, eles contam com auxílio moradia, transporte, alimentação, educação e tudo mais que têm direito. Enquanto isso, nós trabalhadores sofremos para adquirir uma casa, sofremos com o descaso educacional, temos que acordar de madrugada e muitas vezes até dormir nos postos de saúde para ver se tentar conseguirmos ser atendidos, dentre outros males existentes.

Recentemente, no Rio de Janeiro, uma desembargadora do Ministério do Trabalho, estava embriagada e atropelou uma empregada doméstica que voltava do trabalho. Após ser levada para a delegacia, a mesma foi solta porque, como era desembargadora, não podia ser presa. Enquanto que, se um pai de família entrar num supermercado e roubar um quilo de feijão ou de arroz para matar a fome de sua família, será autuado como ladrão. São essas e outras injustiças que nós, pessoas honestas e trabalhadoras, sofremos diante da justiça dos homens.

Vou parando por aqui, pois se continuar comentando essas injustiças, esquecerei que preciso trabalhar para ajudar a pagar os “míseros” salários dessa classe beneficiada.
Um grande abraços para todos.


Professor Marciano Dantas
Natal/RN.

domingo, 16 de janeiro de 2011

RIR NÃO FAZ NADA MAL - AS 10 MEDIDAS QUE SERÃO TOMADAS PELA PRIMEIRA PRESIDENTE MULHER DA HISTÓRIA DO BRASIL EM PROL DAS MULHERES:

- Programa Luzes para todas: Toda mulher terá direito a ir ao cabeleireiro uma vez por semana.
- Saúde da Mulher: Aplicação de botox e implante de silicone em hospitais conveniados com o SUS.
- PAC - Programa de Aceleração do Casamento: nenhuma mulher poderá ser enrolada pelo noivo por um período superior ao de 12 meses.
- Ampliação de vagas para mulheres em estacionamentos. Aumento de, no mínimo, 30% no tamanho das vagas.
- Obrigatoriedade da comemoração de eventos como natal, ano novo e páscoa com os familiares da mulher.
- Criminalização de atos de violência doméstica contra a mulher como toalha molhada em cima da cama e tampa da privada levantada.
- Bolsa-bolsa: crédito mensal para que toda mulher tenha direito a comprar uma bolsa nova por mês.
- Fone Zero: cada mulher terá direito a escolher 3 números de telefone para falar com tarifa zero. A preferência será para o telefone da mãe, da irmã e da melhor amiga.
- Programa Minha casa, Minha familia: Dá direito a mulher de trazer a mãe para morar com o casal, assim como irmão desempregado e demais parentes (programa vedado para primas e sobrinhas vindas do interior).
E como medidas adicionais:
- Pré-salto: dá direito à mulher de comprar um calçado novo a cada mês.
- Programa filho sem pai: dá direito à mulher de ter um filho antes de acabar o prazo de validade dela. Qualquer um que “fizer amor” com uma mulher será obrigado a ceder sua "sementinha" e depois sustentar os dois, o bebê e a mãe, com pensão até a maioridade. (Lei Maria do Espermatozóide).
- Programa Informática para Mulheres - Todo computador deverá ser desenvolvido baseado na lógica feminina, ou seja, o computador tem que advinhar o que ela está pensando. (PEC Bola de Cristal)
- Reforma Fiscal - somente para os homens, ou seja, todo homem deverá pagar mais impostos porque Deus não penalizou o macho da espécie para menstruar todo mês e parir.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um assassino a solta no Brasil por ordem expressa de um ex-presidente


Mais do que formalmente, direi que oficialmente, o ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva chutou para a frente o assunto Battisti, sem ter em atenção os limites da decência e da credibilidade que deveriam obrigar a algum cuidado e limite de pelo menos 50% de cautela para com os resultados indiretos da sua polemica tomada de decisão.
Assim no passado dia 31 de Dezembro, a bola chutada por Lula da Silva no caso do “assassino” italiano Cesare Battisti acabou por quebrar diversas vidraças. O assassino italiano de 56 anos cumpre prisão preventiva em Brasilia desde 2007, tendo sido condenado a revelia em Italia a prisão perpetua por 4 assassinatos confirmados e mais uma boa mão cheia de delitos, para além de situações verdadeiramente incríveis criadas por si próprio, como seja a situação de Alberto Torregiani que vive, permanentemente, numa cadeira de rodas depois que foi atingido em 1979, por uma bala perdida, durante um tiroteio entre o seu pai, o joalheiro Pier Luigi Torregiani e os membros do grupo – Proletários Armados pelo Comunismo – mais conhecido por “PAC” ao qual pertencia Battisti.
Alberto Torregiani é um dos dirigentes do Movimento pela Italia, e foi um dos autores da carta aberta divulgada no passado fim de semana em diversos órgãos de comunicação social, pela qual era exigida transparência absoluta no caso, para além de requerer ao governo italiano informações precisas sobre as medidas a serem adoptadas para reverter a situação atual do caso Battisti.
A decisão de Luis Inacio Lula da Silva, proferida, as fugidas, precisamente no seu ultimo dia de governo, reafirmando a não extradição tem criado larga polemica tanto no Brasil como em Italia.
Entretanto o Presidente do STF, ministro Cezar Peluso, decidiu ontem, perante a urgência do caso, encaminhar o processo de extradição do ex-ativista de esquerda, e confirmado assassino, Cesare Battisti, para ser apreciado pelo relator do caso, o ministro Gilmar Mendes.
Em virtude das férias judiciarias, em tese, o assunto só voltara a ser abordado em Fevereiro, e até lá Cesare Battisti vai continuar preso na penitenciaria da Papuda em Brasilia.
O governo italiano vai entrar com um pedido de impugnação da decisão do ex-presidente brasileiro, para além de considerar que o alvará de soltura de Battisti só pode ser emitido pelo plenário do STF, uma vez que a decisão de o prender, para aguardar extradição, foi uma decisão do colegiado do próprio STF.
No decorrer do mês de Janeiro o assunto vai ser levado a Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, para posteriormente ser encaminhado até a corte de Justiça em Haia.
Este caso esta a criar um mau ambiente generalizado entre o Brasil e Italia, sendo que muitos setores importantes da politica italiana tem defendido medidas de retaliação contra o Brasil, nomeadamente o boicote a determinados acordos políticos e a revisão de acordos comerciais.
O recente acordo de 5 bilhões de euros assinado entre o Brasil e italia, esta seriamente afetado podendo estar gorado o fornecimento de aviões, misseis e radares ao Brasil. Além deste acordo estão também em risco vários financiamentos italianos para projetos no Brasil, inclusivamente a nível municipal, em especial entre as cidades de Modena e Londrina.
Nunca se assistiu a uma situação igual, ainda mais quando o assunto tem pelo meio um assassino que se encontra condenado a revelia, e se acoitou por estas bandas para fugir a lei do seu país.
Lula da Silva com esta sua atitude acabou por cimentar uma máxima algo racista que diz que normalmente um neguinho quando não caga a entrada acaba por cagar a saída, e neste caso particular Lula acabou por sair todo cagado do processo!  

João Massapina

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ricardo e Rômulo tomam posse sábado; programação inclui Culto e shows musicais

O governador diplomado e o vice, Ricardo Coutinho e Rômulo Gouveia, respectivamente, tomam posse neste sábado (1º), às 15h, no Espaço Cultural. Antes disso, o socialista participa às 11h de um Culto Ecumênico na Estação Cabo Branco, Ciências, Cultura e Artes. A programação da posse ainda terá a transmissão de cargo, a revista do governador empossado às tropas da Polícia Militar e será finalizada com um show em comemoração, no Ponto de Cem Réis.

Culto

Com a celebração do arcebispo metropolitano da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, e do pastor Estevão, da 1º Igreja Batista de João Pessoa, o Culto Ecumênico vai contar com a presença de pastores de diversas igrejas evangélicas, além da presença do Pai Erivaldo, representando as religiões de matriz africana. Além disso, o juiz Quelpes Vasconcelos vai representar os espíritas do Estado.

Ricardo vai assistir ao culto e participar com a leitura do Salmo 100, de louvação a Deus. O Coral Infantil da Orquestra Sinfônica da Paraíba também participa da celebração.

Posse

Pela tarde, ocorre a solenidade de posse, em uma sessão solene da Assembleia Legislativa que ocorre em cárater especial no Espaço Cultural. O evento é aberto ao público, com capacidade para três mil pessoas. Além disso, o local vai contar com um espaço reservado para a imprensa e para políticos, autoridades e familiares de Ricardo Coutinho e Rômulo Gouveia.

A sessão de posse vai ser conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Ricardo Marcelo, que declarar a posse do governador e vice. Logo após a declaração de Marcelo, o socialista fala pela primeira vez ao povo paraibano como o primeiro governador do Estado nascido na Capital.

O evento vai contar com a presença da cantora Eleonora Falcone, que vai interpretar os hinos nacional e da Paraíba.

Transmissão de cargo


Com previsão de começar às 16h30, a transmissão de cargo vai ocorrer no palco montado em frente ao Palácio da Redenção, no Centro de João Pessoa. O atual vice-governador Luciano Cartaxo é quem vai passar a faixa para Ricardo Coutinho, que na ocasião vai ser apresentado oficialmente para a tropa da Polícia Militar do Estado, que vai desfilar em continência para o governador.

Show

A programação da posse de Ricardo vai terminar com um show no Ponto de Cem Réis programado para começar às 19h30. Para celebrar um novo tempo na Paraíba, vão se apresentar Biliu de Campina, Adeildo Vieira e a banda Cabruera.

Primeira atividade

Logo após receber a faixa de governador das mãos de Luciano Cartaxo, Ricardo vai participar de sua primeira atividade como governador da Paraíba. Ele vai acompanhar o prefeito de Capital, Luciano Agra, na entrega da reforma do calçadão da Rua Duque de Caxias e da nova sede da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).  
 
In: PB Agora

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro", por Sylvio Guedes

Fonte: Jornal de Brasília

Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, critica o "cinismo"
...dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que "tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir:
eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro".

Leia o artigo na íntegra:

É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas
chefias e diretorias.
Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente
intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de
serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.
Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.
Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes
rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem
famílias, arrasam lares, destroçam futuros.
Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:
"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro."
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ilustre desconhecido


Após a Proclamação da República e queda da monarquia no Brasil, grandes transformações atingiram a família imperial brasileira, que perdeu o poder político e foi obrigada por decreto a sair do país, passando a residir na França.
Mas pouco se soube da vida e da atuação política da família imperial fora do Brasil. Muito menos se conhece a atuação de seus membros na tentativa de restaurar o período monárquico no país, que marcaria as primeiras décadas da República.
Nesse aspecto, Dom Luís de Orléans e Bragança (1878-1920), segundo filho da Princesa Isabel e de Gastão d’Orléans (conde d’Eu), ocupa um lugar de destaque. Em decorrência da renúncia de seu irmão mais velho, D. Pedro de Alcântara, Dom Luís assumiu a posição de príncipe imperial e se manifestou publicamente no Brasil, ao longo de vários anos, em favor da restauração do trono.
A vida e a atuação política desse personagem – que viveu no Brasil até os 11 anos de idade – ocupam o cenário narrativo do livro Dom Luís de Orléans e Bragança: peregrino de impérios, de Teresa Malatian.
De acordo com a autora, o foco do estudo no biografado se consolidou a partir de suas pesquisas paralelas, sobretudo porque o príncipe teve participação política significativa no decorrer da Primeira República.
“Sua participação não se limitou apenas a confrontar o banimento da família imperial, mas também porque tinha uma proposta política de crítica à Republica, que não era uma mera reprodução do império do seu avô, D. Pedro II”, disse Teresa, professora da Universidade Estadual Paulista, campus de Franca, à Agência FAPESP .
O livro recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações e é resultado da pesquisa “D. Luís de Orléans e Bragança (1878-1920)", concluída em 2009 e que recebeu apoio da Fundação na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
Segundo a historiadora, o príncipe avança em suas propostas ao fazer uma defesa da Federação com abertura para se perceber o movimento operário no Brasil. “Ele abre um pensamento para atualidade brasileira mais voltada para o processo de industrialização, enquanto outros movimentos estavam mais preocupados ainda com a abolição”, destacou.
A crítica à República está contida em dois manifestos, publicados em 1909 e 1913, nos quais D. Luís aborda tanto as excelências como a representação e forma de governo no Império. O manifesto de 1913 é a última participação política de peso do príncipe, quando conseguiu arrebanhar diversos seguidores.
De acordo com Teresa, o príncipe não defendia o poder moderador, mas acreditava que os poderes Legislativo e Judiciário funcionavam melhor no Império do que na República, porque neste regime o controle ficava nas mãos dos representantes das oligarquias.
“Essa crítica encontra ressonância na que era feita à República Velha pelos próprios republicanos. Quando propôs a restauração, D. Luís reconheceu que o imperador havia sido excessivamente ‘liberal’ ao permitir, por exemplo, o crescimento do Partido Republicano. Por outro lado, defendeu que os militares deveriam ter um papel muito mais importante quando comparado à atuação de D. Pedro II”, disse.
Peregrino de impérios
O livro é divido em 12 capítulos, acompanhado de um caderno de imagens, e narra a formação educacional e militar, casamento e trajetória do príncipe como viajante de quatro continentes. “O subtítulo ‘Peregrino de impérios’ se refere tanto aos lugares por onde passou como ao desejo de retornar ao Brasil, tentativa frustrada em 1907”, explicou.
Apesar de não ser um pensador no sentido restrito, D. Luís teve uma trajetória intelectual relevante não somente como ativista político. Publicou livros de viagens, foi repórter de guerra na África e fotógrafo. Seu livro mais importante é Sobre o Cruzeiro do Sul.
“Nesse livro, que foi publicado originalmente em francês, ele explicou a sua plataforma política. As suas atividades intelectuais o levaram a ser aceite no Instituto Geográfico do Brasil e a pertencer à Sociedade de Geografia de Paris. Mas não conseguiu entrar para a Academia Brasileira de Letras devido ao antagonismo político com Ruy Barbosa, então presidente da academia”, disse.
De acordo com a docente da Unesp; D. Luís tinha uma preocupação muito comum naquele época, que era a de mostrar na literatura de viagem as ‘terras exóticas’ da África aos europeus.
O príncipe morreu aos 42 anos, antes da Primeira Guerra Mundial. “Depois disso, apesar de persistir mais no plano teórico, o movimento monarquista ficou órfão porque seus filhos ainda eram menores de idade. O objetivo do livro é mostrar que ele não foi um personagem secundário nesse processo”, disse Teresa. 
  • Título: Dom Luís de Orléans e Bragança: peregrino de impérios
    Autora: Teresa Malatian
    Páginas: 270
    Preço: R$ 55
    Mais informações: www.alamedaeditorial.com.br
  •  
  • Por Alex Sander Alcântara